Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor.
GRES ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA- 2007


Autor(es) Lequinho, Junior Fionda, Aníbal e Amendoím
Intérprete(s) Jamelão (?)


SAMBA 2007 mangueira – língua portuguesa

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Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor.





Quem sou eu
Tenho a mais bela maneira de expressar
Sou Mangueira...uma poesia singular
Fui ao Lácio e nos meus versos canto a última flor
Que espalhou por vários continentes
Um manancial de amor
Caravelas ao mar partiram
Por destino encontraram Brasil...
Nos trazendo a maior riqueza
A nossa língua portuguesa
Se misturou com o tupi, tupinambrasileirou
Mais tarde o canto do negro ecoou
E assim a língua se modificou

Eu vou dos versos de Camões
As folhas secas caídas de Mangueira
É chama eterna, dom da criação
Que fala ao pulsar do coração

Cantando eu vou
Do Oiapoque ao Chuí ouvir
A minha pátria é minha língua
Idolatrada obra-prima te faço imortal
Salve... Poetas e compositores
Salve também os escritores
Que enriqueceram a tua história 
Ó meu Brasil
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Hoje a herança portuguesa já reluz
Na Estação da Luz

Vem no vira da Mangueira vem sambar
Meu idioma tem o dom de transformar
Faz do Palácio do Samba uma casa portuguesa
É uma casa portuguesa com certeza			






COMENTÁRIO CRÍTICO:




SINOPSE: 

A esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral, que deixou Lisboa em 9 de março de 1500, era a maior até então reunida para navegar no Atlântico. Não fez nenhuma escala até tocar a costa brasileira e era composta por 1500 tripulantes. Não se conhece, exatamente, os nomes das 13 embarcações. 

Vencendo a fúria de ventos agitados, 
Singrando “mares nunca dantes navegados”, 
Lá vêm elas - tão frágeis e tão belas - 
Sorriso aberto em suas velas: 
Dez naus, três caravelas. 

Muitos séculos antes do Descobrimento do Brasil, o Império Romano havia conquistado vastos territórios da atual Europa. Não foi uma conquista apenas política e territorial – foi também cultural. Os exércitos romanos impuseram seu idioma – o Latim vulgar – que em cada região deu origem a uma língua diferente (Português, Francês, Espanhol, Italiano, Romeno, etc). O Latim, por sua vez, tem origem no Lácio, uma região do centro da atual Itália onde surgiu Roma. 

Trazem a bordo um rico tesouro 
Que não é prata nem é ouro. 
É uma herança, uma bonança 
Mais valiosa que um palácio: 
A última flor do Lácio. 
“Inculta e bela”, como Bilac cantou 
És meu pendão, meu refrão, 
Pura e singela, és minha flor na lapela 
Que o tempo enfim consagrou. 

O Português é hoje o sexto idioma mais falado no mundo. É a língua oficial de oito países dos cinco Continentes: Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. São cerca de 250 milhões de falantes, a maioria no Brasil. O idioma de Camões tem palavras que não encontram tradução em outras línguas. Exemplos: luar e saudade. 

Brota em meu peito uma forte emoção 
Quando vejo um cenário de tanta beleza! 
Deus, em sua Criação, fez questão 
De mostrar sua mania de grandeza 
Quando dotou o Brasil, sua grande paixão 
- e disso eu tenho certeza - 
Do idioma que fala ao pulsar do coração: 
A nossa Língua Portuguesa! 

Ao chegar ao Brasil, trazido pelos descobridores em 1500, o Português sofreu primeiro a influência das línguas faladas pelos indígenas que habitavam o litoral: o Tupi e o Tupinambá. Mais tarde, o Português foi enriquecido por palavras do Banto e do Iorubá, idiomas falados por escravos africanos. Essas contribuições formaram o Português “brasileiro”, uma língua mestiça em constante evolução. Mais recentemente, no século 19, o Português falado no Brasil incorporou também expressões trazidas por imigrantes de várias partes do mundo. 

O idioma de Camões, Eça e Pessoa 
Aos poucos se abrasileirou 
Com a fala dos índios e seu cantar 
Misturando o tupi e o tupinambá. 
Depois o negro da nação iorubá 
Botou “axé” e todo o seu encanto 
E até o samba que também é africano 
Ganhou a “ginga” que veio do banto. 

As influências indígena e africana eram tão fortes que os próprios jesuítas portugueses usavam esses idiomas - conhecidos como a “língua geral” - em sua catequese. Até que, em 1758, o Marquês de Pombal decretou, proibiu outro falar no Brasil que não fosse o Português. No ano seguinte, expulsou os jesuítas do país. A vigilância portuguesa impôs a ferro e fogo o decreto de Pombal e, graças a ela, produziu-se o milagre de hoje um país de dimensões continentais como o Brasil ter um único idioma. A língua é o maior símbolo da identidade e da integração nacional do povo brasileiro. 

Foi seu Pombal quem garantiu 
No carnaval do meu Brasil 
O samba de uma fala só. 
Em verso prosa o povo inteiro 
Canta alegre, em “brasileiro” 
No frevo, no choro e no forró. 

Além de grandes autores portugueses como Luiz de Camões, Padre Vieira, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, o nosso idioma tem no Brasil outros tantos luminares: 

os cariocas Machado de Assis (primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras) e Olavo Bilac, o alagoano de Quebrângulo Graciliano Ramos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), o mineiro de Itabira Carlos Drummond de Andrade (Brejo das Almas, José), o fluminense de Cantagalo Euclides da Cunha (Os Sertões) e muitos outros, considerados clássicos da língua portuguesa. 

Hoje a Mangueira, toda airosa 
Engalanada em verde e rosa 
Canta o idioma que ressoa 
Do Oiapoque ao Chuí 
Lembra Eça, louva Pessoa, 
Inventa um passo e num abraço 
Traz Lisboa para a Sapucaí. 

Nos grandes mestres fui buscar 
O enredo do meu samba pra contar 
A saga de um povo altaneiro 
De vidas secas nos sertões 
De muita luta nos grotões 
Como pregava Antonio Conselheiro. 

Grandes poetas brasileiros, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Cartola, Caetano Veloso, Guilherme de Brito e tantos mais encontraram no samba uma forma superior de falar à alma do povo. A música brasileira difundiu o idioma e aproximou a “última flor” da gente simples que canta, e se encanta. 

Minha pátria é minha língua 
Minha pena é minha espada. 
A paixão não morre à mingua 
Se é pra ti, mulher amada, 
Que nos versos magistrais 
De Vinícius de Morais 
Sobre o amor ele proclama: 
É “infinito enquanto dure”, e 
“Imortal posto que é chama”. 

Os poetas de Mangueira 
Também sabem que a paixão 
É sua melhor parceira, 
Sua grande inspiração. 
Foi o amor à minha Escola 
Num preito de pura emoção 
E ternura em cada rima 
Que inspirou Mestre Cartola 
A compor essa obra-prima 
Que é “Sala de Recepção”. 

Ó, amada Língua Portuguesa, poética, infinita... Quantos milhares, milhões de escritores, poetas, romancistas, histórias, personagens tu ocultas que por mais que se procure mais existe a desvendar! Bem sei que não cabes inteira no meu samba, que é pequeno demais pra te homenagear. Tão bela tu és que tinha de ser teu o primeiro museu. Não há no mundo outro igual, nem mesmo em Portugal. O endereço é um só, aquele que nos conduz à velha Estação da Luz - teu templo, tua morada, onde podes, como mereces, ser adorada. 

Eu sou de uma estação 
A Estação Primeira 
Que me ensinou uma lição 
Durante minha vida inteira: 
Só meu samba me conduz 
E só Mangueira traduz 
A paixão mais verdadeira. 

Mas se quero ter certeza 
Que a magia e a beleza 
Da nossa Língua Portuguesa 
É maior do que supus 
Pego o trem na minha estrada 
E na última parada 
Desço na Estação da Luz.